01/08/2013

O fim de uma Licenciatura em LGP e meu agradecimento especial

Mais uma vez, mas agora em definitivo, chegou a hora da despedida e grata por tudo! Foram 3 anos letivos escrevendo, aprendendo, acompanhando nas aulas, assistindo às conferências e me realizando com o blog académico: http://nonogaspar.blogspot.pt/

Gostaria de tomar a oportunidade para agradecer algumas pessoas que foram importantes nestes anos todos ao longo do 1º Ciclo do curso de Licenciatura PRO_LGP, chegando ao fim de mais um ciclo importante da minha vida. 

. Ao Prof. Doutor Alexandre Castro Caldas, Director do Instituto de Ciências da Saúde da UCP pela iniciativa para a criação do curso de Licenciatura em Língua Gestual Portuguesa (PRO_LGP).


. À Profª Doutora Ana Mineiro, Coordenadora da Licenciatura em PRO_LGP pela disponibilidade prestada e paciência que nos aturou neste tempo todo.


. À equipa de Tutores/Intérpretes: Isabel Morais, Cristina Gil, Patrícia Carmo, Ana Silva, Joana Pereira e Amílcar Morais pelo acompanhamento e orientação prestada.


. Aos meus prezados colegas da Turma 2 e às pessoas especiais do meu coração: Minha Mãe, Silvia Marques, Shaiza Jethá e as minhas amizades que me tem dado forças e pelo apoio incondicional que me deu.


Deixo de fazer parte desta inesquecível Família Académica da Universidade Católica Portuguesa (abaixo).


Os anos passam... O conhecimento é acumulado, algum conhecimento esquecido, outros ultrapassados, mas os valores são eternos e a lembrança de alguns Professores permanece. Somos frutos de algum mestre, seja ele professor, pai ou mãe, pois todos são mediadores. Todo/a pai/mãe é um pouco mestre e todo/a professor/a é um pouco pai/mãe! Obrigada a todos os Professores!!!

Investigação em Linguística das Línguas Gestuais - 3ºAno

E, finalmente, chegamos à ultima disciplina da licenciatura em Língua Gestual Portuguesa (LGP)!

A nossa Turma 2 teve muito stress, suor, ansiedade e preocupação mas conseguiu terminar o trabalho académico, alcançando no prazo previsto, graças ao esforço da própria turma dividida em grupos de duas pessoas. Na sociedade em que vivemos, o trabalho em grupo é cada vez mais valorizado, pois cada um precisa da ajuda de outro e ainda ajudar quem mais precisa e até mesmo seja de outro grupo.

O trabalho em grupo é o resultado de um esforço e confiança mútua. Cada colega sabe o que o/a outro/a colega está fazendo e reconhece a sua importância, além de melhorar a qualidade durante a realização do trabalho académico.

"Podemos concluir, que por mais que tenhamos luz própria, que brilhemos e tenhamos talento, é preciso lembrar que sozinhos nós somos muito frágeis e é exatamente por isso que qualquer problema do dia-a-dia pode ofuscar o nosso brilho. Daí a importância de entendermos o poder da ajuda mútua, sempre lembrando de que líderes, equipas e grupos superam crises quando se unem."

Português como Língua Segunda III - 3ºAno

A Professora apresenta o texto, perguntando aos alunos se conhecem o seu tipo e/ou género textual, fazendo uma síntese de texto para eles em LGP, para que tenham uma fácil entendimento e compreensão. Desta forma, a Professora interage com os alunos, verificando o desempenho deles e desenvolvendo o seu raciocínio lógico.

Na leitura, os alunos Surdos expõem o texto em LGP à Professora pois o texto pode ser definido de vários pontos de vista. Esta pede aos alunos para escreverem, levando ao entendimento em relação à natureza e as características da análise do texto. Neste sentido, a Professora tem a oportunidade de analisar o conhecimento deles porque cada aluno tem o seu próprio ritmo de aprendizagem.



Há quem tenha dificuldades de dominar o Português, portanto, é a responsabilidade da Professora que precisa conhecer cada aluno/a e saber qual é o seu grau de conhecimento, para que aos poucos, vai dando orientação, explicação e apoio no Português escrito para melhorar a sua aptidão criativa, até que comece a escrever pequenas frases, texto e outros géneros literários.

"Tenho necessidade dos outros, de trocas. Tenho necessidade de uma comunidade. Não poderia viver sem os ouvintes nem sem os Surdos. A comunicação é minha paixão... quero me comunicar... Dou uma enorme importância ao que é escrito... E escrever na língua materna de vocês. A língua de meus pais. Minha língua adotiva..." (Emmanuelle Laborit)

Ensino e de Aprendizagem da LGP como segunda língua - 3ºAno


Nesta matéria refere-se ao estudo dos métodos de ensino da LGP em turmas de alunos ouvintes, respeitando as normas da adaptação do QECRL (Quadro Europeu Comum de Referência para as Línguas) para a LGP.

Não basta aprender LGP, é preciso conhecer a história e a cultura dos Surdos e compartilhar seu conhecimento e sabedoria para que outros ouvintes possam "aceder à visão" do mundo Surdo.

É muito importante dar a conhecer uma breve cronologia dos acontecimentos marcantes ao longo da história da comunidade Surda. Sendo assim, permite uma reflexão e análise de que como a pessoa Surda foi tratada e educada com a evolução ao longo dos tempos e compreender as atitudes e comportamento face ao estereótipo construído na sociedade ouvinte porque até hoje, a pessoa Surda ainda se sente excluída.

CONCEITO ouvintismo: segundo Skliar, “é um conjunto de representações dos ouvintes, a partir do qual o surdo está obrigado a olhar-se e narrar-se como se fosse ouvinte”. (1998)

"Conhecer não é demonstrar nem explicar, é aceder à visão." (Antoine de Saint-Exupéry)

25/07/2013

Métodos de Ensino e de Aprendizagem - 3ºAno

Houve algumas Professoras que nos ensinaram como se faz uma planificação - que serve para anotar o que deve ser ensinado, como deve ser ensinado e a duração que deve dedicar a cada matéria, como dar aulas incentivando os alunos a assistir às aulas e para se sentirem motivados quando têm necessidade de aprender e o mais importante é que como deve ser um(a) bom/boa professor(a). 

A maioria de Surdos apresenta dificuldades em todos os níveis da língua portuguesa (LP), portanto é uma grande responsabilidade para todos aqueles que são professores  e devem averiguar quais as formas de superar tais obstáculos para que os alunos Surdos se tornem capazes de ler, escrever e compreender o conteúdo da aula, pois a maior dificuldade é fazer os alunos Surdos entender o que o professor ouvinte está a dizer.

Sendo assim, compete ao Ministério da Educação exigir uma formação em LGP destinado aos professores ouvintes e depois desta iniciativa, conseguem dar aulas em LGP derrubando as barreiras na comunicação. Por este caminho, com a aceitação das diferenças e respeito entre o professor ouvinte e o aluno surdo, permite adquirir habilidades, desenvolver competências e que faz crescer com dignidade de cada um.

"Não existe educação de qualidade sem o bom professor. O professor é o profissional mais estratégico para uma boa aprendizagem, é a peça chave e por isso precisa estar apto para transmitir o conteúdo de forma adequada." (Almeida e Silva)


23/07/2013

Lexicologia e Lexicografia nas Línguas Gestuais - 3ºAno

Esta disciplina deveras importante porque a matéria fala sobre a existência de dicionários da Língua Gestual a nível mundial incluindo Portugal. Neste caso, o dicionário é um livro que explica o significado global do gesto. A maioria dos dicionários da Língua Gestual é ilustrada e/ou filmada para facilitar a assimilação sobre a estrutura frásica própria da Língua Gestual em cada país.

É essencial que a comunidade ouvinte tenha algumas informações ao se procurar compreender através da comunidade académica Surdaexiste todo o tipo de dicionários e até há dicionários modernos devido ao avanço da tecnologia e da internet.

É claro que não podia deixar de passar isto em branco: existe um dicionário terminológico em LGP (Língua Gestual Portuguesa) criado pelos alunos Surdos do Instituto de Ciências da Saúde da Universidade Católica Portuguesa com o apoio da Fundação PT: http://pro-lgp.com/dicionario/

"Foram mais de cem anos de práticas enceguecidas pela tentativa de correção, normalização e pela violência institucional; instituições especiais que foram reguladas tanto na caridade e pela beneficência, quanto pela cultura social vigente que requeria uma capacidade para controlar, separar e negar a existência da comunidade surda, da língua gestual, da identidade surda e das experiências visuais, que determinam o conjunto de diferenças dos surdos em relação a qualquer outro grupo de sujeitos." (Skliar)

19/06/2013

Estudos Surdos II - 3ºAno


Durante a aula de Estudos Surdos II, a Professora Marta Morgado deu-nos a conhecer vários investigadores Surdos reconhecidos em Portugal e no Mundo, para ter uma visão ampla do mundo científico dentro da comunidade Surda.

José Bettencourt e João Alberto Ferreira foram os primeiros Surdos portugueses que iniciaram os estudos linguísticos da LGP. Muito mais tarde, começou a aumentar o acesso e ingresso de Surdos ao ensino superior e a participação em projetos de investigação: Amílcar Morais, Isabel Morais e Patrícia do Carmo.

Alguns investigadores Surdos estrangeiros mais consultados e mais procurados em relação a cada área de especialização.

Línguas Gestuais e da Educação de Surdos
. Markku Jokinen (Finlândia) 
. Martina Bienvenu (EUA)

Cultura Surda e da Identidade dos Surdos
. Carol Padden (EUA)
. Joseph Murray (Noruega e EUA)

Comunidade Surda e da Liderança Surda:
. Benjamin Bahan (EUA)
. Yerker Andersson (Suécia)

"A comunidade surda que sofreu um grande crime quando teve sua língua discriminada por séculos, merece o apoio dos pesquisadores e linguistas par resgatar seu poder de escrever em sua língua nativa." (Stumpf, 2002)

11/06/2013

Pragmática e Sociolinguística (Linguística V) - 3ºAno

Quem nos deu aulas, foi a Professora Mariana Martins, ouvinte, fluente em LGP e assume um papel ativo na comunidade Surda. Pragmática e Sociolinguística foi uma disciplina um pouco mais difícil de aprender porque requer mais raciocínio nas questões complicadas.

Apesar de exigir grande concentração, a Professora Mariana Martins explicou pacientemente, ou seja, de uma forma mais clara na esperança de que a maioria dos alunos assim iria entender a matéria. Tivemos muitos exercicios práticos e com uma alta fluência em LGP da professora - ferramentas fundamentais que asseguram para uma melhor compreensão da matéria.

A LGP possui as várias componentes da gramática: fonologia, morfologia, semântica, sintaxe e pragmática.

"As línguas orais são sistemas regidos por regras. O mesmo acontece com as línguas gestuais, conforme referenciado por Stokoe" (1960)

08/02/2013

Semântica (Linguística IV) - 3ºAno

As aulas de Semântica com a Professora Doutora Ana Margarida Abrantes foram agradáveis, diversificadas e bem passadas. Nesta disciplina aborda-se vários temas sobre a combinação de significante e significado, o estudo dos sinais e significados (semiótica), as principais figuras de linguagem: metáfora e metonímia e, por fim, a criação de espaços mentais.

Através da elaboração de exercicios práticos, preparação e apresentação de trabalhos que originou um animado e extenso debate, no qual levantou ainda uma série de dúvidas/questões cuja explicação foi deveras esclarecedora e atenciosa.

Segundo Abrantes, a LGP é entendida como uma língua com o mesmo estatuto de uma língua verbal; na base de ambas estão processos cognitivos análogos.

"Tais concepções equivocadas em relação às linguas gestuais compartilham traços comuns, assinalando um estatuto linguístico inferior em relação ao plano da superfície. Todavia, as investigações mostram que as línguas gestuais, sob o ponto de vista linguístico, são completas, complexas e possuem uma abstrata estruturação em todos os níveis de análise." (Quadros e Karnopp, 2004)

07/01/2013

Neurociências e Cognição - 2ºAno

Esta aula tem como objetivo compreender melhor como processa a informação cognitiva, permite-nos conhecer e estudar a relação que existe entre a linguagem e a cognição. É a capacidade neurológica do qual decorre o processo do pensamento que transmite ideias, opiniões e sentimentos por intermédio da linguagem.

A cognição inclui estados mentais e processos como o pensamento, a atenção, a linguagem, a memória, o raciocínio e a imaginação começando com a captação dos sentidos e logo em seguida ocorre à perceção. É a memória que retém conhecimentos, informações, ideias, acontecimentos, encontros, o que nos torna únicos e constitui o nosso património e identidade pessoal. A memória é essencial para sobreviver e que nos permite, sempre que precisamos, atualizar a informação suficiente para dar resposta ao desafios.


Sem memória não há cognição!

"A estrutura física das memórias - 100 bilhões é o número de estrelas de nossa galáxia, que outros recamos da galáxia teriam tamanhas quantidade de entidades pulsantes? Em nosso universo mental 100 bilhões de células nervosas pulsam incessantemente descarregando umas nas outras, poeira das estrelas, substâncias neuroquímicas que vão essencialmente excitar ou inibir outras galáxias neuronais, determinando a qualidade de nossos pensamentos, sentimentos, memórias, linguagem e muitas outras funções cognitivas e  motoras que vão nos permitir agir e  nos comportar da melhor maneira possível, para que e possamos cumprir nossa missão na terra, lutar pela vida e transmitir essa mensagem aos nossos descendentes." (Magna Melo)

12/09/2012

Estudos Surdos I - 2ºAno

Durante a aula de Estudos Surdos I, o Professor Doutor Paulo Vaz de Carvalho, deu-nos a conhecer algumas figuras mais proeminentes da Comunidade Surda e os seus diferentes pontos de vista com o objectivo de proteger, utilizar, fortalecer e preservar a língua gestual e melhorar a qualidade do ensino em conexão com o desenvolvimento e o aprofundamento da Educação de Surdos.

Uma das figuras de referência é a Professora Kristina Svartholm, segundo a sua experiência que o modelo bilingue sueco tem sido testado e aplicado com sucesso demonstrando que os Surdos têm uma elevada capacidade de aprendizagem e um grande empenho na leitura e escrita dando a importância de uma educação de Surdos no direito e reconhecimento da língua gestual como primeira língua para criança Surda. E deve separar o ensino entre o sueco escrito e a língua gestual, desta forma os alunos Surdos realmente aprendem mais e melhor nos estudos favorecendo a compreensão do sueco escrito, ou seja, quanto maior a compreensão em leitura melhor é o desempenho no domínio da escrita.

Hoje em dia, quase 90% de crianças Surdas são implantadas. Não devem ser vistas como ouvintes, precisam sempre a língua gestual na sua vida inteira, que com o implante coclear, não resolve essas situações prejudicando a sua identidade e não conseguir a adquirir e desenvolver a aquisição de linguagem, segundo Svartholm.

"Os Estudos Surdos se constituem enquanto um programa de pesquisa em educação, onde as identidades, as línguas, os projetos educacionais, a história, a arte, as comunidades e as culturas Surdas são focalizadas e entendidas a partir da diferença, a partir de seu reconhecimento político." (Skliar)


26/07/2012

Literatura das Línguas Gestuais - 2ºAno

"Literatura das Línguas Gestuais" é uma das disciplinas ministrada pela Prof. Marta Morgado, Surda e docente na Universidade Católica Portuguesa. É uma disciplina fascinante e indispensável da nossa cultura, ou seja, um aspecto fundamental da vida das pessoas Surdas. Deve ser leitura obrigatória para a educação das crianças e jovens Surdos.

Os Surdos existem e merecem ser "lidos" que partilham a sua história de vida, contar suas experiências, mostrar que têm veia poética de inúmeros talentos e sensibilizar os ouvintes para compreender visualmente o mundo Surdo. Além de livros, o vídeo é fulcral para Surdos pois apresenta uma série de experiências visuais, reproduzindo expressões faciais e corporais, no que diz respeito ao seu percurso construtivo da sua própria identidade e cultura.

É fundamental unir um livro e DVD para obter uma melhor compreensão e tornar a informação mais completa, clara e acessível para a Comunidade Surda e mais aceitável às pessoas que não são Surdas, promovendo a busca do conhecimento correcto sobre a realidade das pessoas Surdas quebrando paradigmas.

"A literatura Surda está relacionada com a cultura Surda. A literatura da cultura Surda, contada na língua gestual de determinada comunidade linguística, é constituida pelas histórias produzidas em língua gestual pelas pessoas Surdas, pelas histórias de vida que são frequentemente relatadas, pelos contos, lendas, fábulas, piadas, poemas gestuais, anedotas, jogos de linguagem e muito mais." (Karnopp)

25/05/2012

Introdução às Ciências da Educação - 2ºAno


A disciplina "Introdução às Ciências da Educação", a que todos presenciámos e no qual participámos neste forum de debate nas aulas e existe muita controvérsia em torno da relação entre a educação e os fenómenos da exclusão e inclusão social. Foi deveras interessante!

Foi ministrada pelo Professor Doutor Afonso Batista que foi metodólogo, consultor da UNICEF para a Educação e director regional de educação do Centro. Cabe ao Professor estudar, pesquisar e investigar sobre a organização escolar e da educação de crianças e jovens Surdos, na sua língua e na sua cultura.

O objectivo foi desencadear uma discussão, reflexão sobre o significado e a importância do diálogo, o esclarecimento e a troca de opinião sobre vários temas: as causas da retenção escolar em Portugal, para evitar a exclusão escolar, como eliminar o paradigma da exclusão, a inclusão das pessoas surdocegas e avaliar o acesso e sucesso escolares dos Surdos.



16/04/2012

Sintaxe (Linguística III) - 2ºAno

A Professora Doutora Ronice Müller de Quadros que é uma das maiores Linguistas Brasileira, defensora na causa da Comunidade Surda no Brasil, deu-nos novamente as aulas de Linguística destacando-se na Sintaxe das Línguas Gestuais.


As línguas gestuais são as línguas naturais das comunidades Surdas e é de vital importância saber que as modalidades da língua oral e da Língua Gestual são distintas, ou seja, esta possui a modalidade visuo-espacial e é composta de vários âmbitos linguísticos e um deles é Sintaxe. O gesto é composto por diversas unidades: o ponto de articulação, o movimento e a configuração das mãos, a expressão facial e corporal e a localização. As línguas gestuais igualam-se às linguas orais porque preenchem todos os requisitos científicos e consideram-se como um sistema linguístico de poder e força.


As línguas orais-auditivas são línguas do mundo ouvinte que percebe os sons e fala com a entoação correcta o que dificulta ainda mais a utilização da audição para compreender a fala por parte da comunidade Surda.


"A sintaxe é uma questão de uso, não de princípios. Escrever é escrever claro, não necessariamente certo. Por exemplo: dizer escrever claro não é certo mas é claro, certo?"

28/02/2012

Português como Língua Segunda II - 2ºAno

A continuação da disciplina que se encarrega de estudar "Português como Língua Segunda para Surdos" com o Professor de Português, Pedro Barros. Foi uma aula diferente e interessante que destaca a escrita criativa explorando e designando o tipo de texto literário, género literário a que pertence, a sua interpretação e por fim apresentar a opinião pessoal sobre o texto lido.

A imaginação é uma ferramenta fundamental, ou seja, é o elemento-chave para redigir um texto criativo como por exemplo a ficção, drama, poesia, guião, autobiografia, slogan, etc.

Cada colega escreveu um texto baseado nas imagens escolhidas pelo professor imaginando o género ficcional e depois falou em LGP ao professor e a turma. Esta parte foi mais divertida porque através da LGP, contempla-se a beleza no contexto da história, valendo a ressaltar também que as expressões faciais são fulcrais para a composição da língua gestual.

"A cultura surda é aquela que reflecte os costumes e as características das pessoas que desenvolveram através das habilidades visuais, manuais, gestuais e corporais, a sua maneira de estar no mundo, a sua maneira de se fazer no mundo, assim como qualquer outro tipo de cultura. Fazer parte da comunidade surda significa dizer que me comprometo a agir de forma ética, auxiliando no combate aos preconceitos, que partem muito mais da falta de conhecimento em relação à comunidade e à cultura surda."

26/01/2012

História da Educação de Surdos II - 2ºAno

Durante a aula de História da Educação de Surdos, que ao longo da nossa história, a matéria dada pelo Dr. Paulo Vaz de Carvalho, deu-nos conhecimento que havia muitas pessoas Surdas que não conseguiram alcançar o sucesso somente por terem o talento inegável na área de desporto, arquitectura, literatura, teatro, cinema, pintura, exército, artes do espetáculo, humor, medicina e ciência mas muitos foram postos na margem sob o ponto de vista da sociedade ouvinte e essa mesma tirou o privilégio de ser reconhecido.

Até houve alguns Surdos que ganharam o prémio Nobel nas áreas da Medicina e da Química: Charles Scott Sherington, Charles Jules, Henry Nicole e John Warcup "Kappa" Cornforth.
Aqui estão alguns Surdos puderam destacar-se na Arte: Bernardo di Betto Biagi (que foi colega do pintor renascentista Rafael), Juan Fernandez Navarette, Hendrik Van Campus, Claude-André Deseine e Frederic Peyson.
...na Escultura: Paul François Chopin e Fernand Hamar.
...na Literatura: Laura Reeding Searing.
...no Teatro e no Cinema: Phillis Friedlich, Marlee Matlin e Emmanuelle Laborit.

"Todos sentem a necessidade de ser entendidos. Aparentes inabilidades podem empanar as verdadeiras habilidades e criatividades do Surdo. Em contraste, muitos Surdos consideram-se “capacitados”. Comunicam-se fluentemente entre si, desenvolvem auto-estima e têm bom desempenho académico, social e espiritual. Contudo, quando os ouvintes interessam-se sinceramente em entender a cultura surda e a língua gestual, e encaram os Surdos como pessoas “capacitadas”, todos se beneficiam."

03/01/2012

Um olhar sobre a Morfologia dos Gestos (Linguística II) - 2ºAno

Estudando com mais profundidade, a morfologia fornece muitos parâmetros da LGP, sabendo como se processam os gestos de acordo com as características morfológicas onde se consultam os nomes, os artigos, os pronomes, os numerais, as preposições, as conjunções e os verbos.

Segundo Mineiro et alii, revelam que a LGP é tão rica e complexa como a língua oral mas apresenta as limitações dentro do plano morfológico.

Não podemos esquecer que a LGP é uma modalidade visuo-espacial que se permite descrever, utilizar e classificar os elementos entre os quais se destacam as mãos, o movimento realizado pelo corpo e por expressões faciais.

A LGP tem a sua riqueza de representações e tem muito por descobrir, analisar e aprofundar por meio de uma caracterização morfológica devido a peculiaridade do gesto.

08/11/2011

Escrita das Línguas Gestuais - 2ºAno


A disciplina "Escrita das Línguas Gestuais" (SgnWriting) com a Prof. Marianne Stumpf, Surda e da nacionalidade brasileira, é muito simpática e ficou sensibilizada com a dedicação e interesse à disciplina, demonstrados pela nossa colega Surda com Síndrome de Usher, Carolina Ferreira Canais, uma mulher que não desiste de aprender até perceber tudo.

escrita das línguas gestuais expressa os movimentos, a forma das mãos, as marcas não manuais e os pontos de articulação, ou seja, um sistema de representação como forma de comunicação por símbolos (grafema, caracteres) para registrar visualmente uma língua gestual.



Antigamente, os Surdos não tinham como escrever na língua gestual, e até hoje utilizamos Português escrito como segunda língua e a maioria de Surdos têm dificuldades de exprimir através da segunda língua. Com a Escrita das Línguas Gestuais, podemos escrever a LGP (língua gestual portuguesa) sem recorrer à língua oral. 


"SignWriting, que pode registrar qualquer língua de sinais sem passar pela tradução da língua falada. O fato do sistema representar unidades gestuais faz com que ele possa ser aplicado a qualquer língua gestual do mundo. Para usar o SW, é preciso saber bem uma língua gestual. Cada língua gestual vai adaptá-lo a sua própria ortografia." (Stumpf, 2003)

18/08/2011

Introdução às Neurociências - 1ºAno

Foi a última disciplina do primeiro ano que se chamava "Introdução às Neurociências" com a Prof. Dra. Maria Vânia Nunes e o Director do ICS da Universidade Católica. Foi uma aula muito diferente porque tivemos a noção de que o sistema nervoso é responsável pelo ajustamento do organismo ao ambiente cuja função é perceber e identificar as condições para a existência de vida.


Para entender melhor como funciona a nossa mente que toma consciência e se adapta ao ambiente através do sistema nervoso, órgãos do sentido, glândulas e músculos. Os órgãos do sentido detectam, o cérebro faz a leitura através de impulsos eléctricos e químicos.


Sabiam que o computador foi desenvolvido baseado no funcionamento da mente? 
Cérebro - Desktop
Neurónios - Placas, Chips e Condutores eléctricos
Núcleo do neurónio - Hardware
Cadeia da molécula do DNA - Software


Os estímulos e as informações agem seguindo o DNA, em nós, como o clique do rato age seguindo o computador, para determinar uma acção de resposta.


"Somos uma máquina ainda em evolução, nas mãos da mãe natureza. Um computador é uma máquina de estrutura estática, com capacidade limitada e por mais que dure, sempre só será capaz de realizar uma quantidade limitada de tarefas. Já , nós, a "máquina divina"  somos  uma estrutura dinâmica, que vamos  "escrevendo"  nos seguimentos do  DNA , em nós, a nossa história de vida."

04/08/2011

Introdução à Fonética e Fonologia na LGP e na LP - 1ºAno

A disciplina "Introdução à Fonética e Fonologia na LGP e na LP" na qual ainda estudamos em profundidade sobre os paralelismos e diferenças das línguas gestuais e das línguas orais.

Segue-se a citação de texto de "Jouer d'oreille à rebours: sur la phonétisation des langues étrangères", Eleonora Cavalcante Albano, in Lingüística aplicada.

"A palavra e as línguas gestuais, em particular, exibem uma organização hierárquica e encaixada bem mais flexível e operacionalizável do que as das outras atividades sensório-motoras naturais. Se somos privados de um dos ingredientes das fonologias, podemos não obstante construir, com a expressão facial tanto como com as mãos, uma espécie de coreografia muito localizada, que é mais ou menos o equivalente. Se, de um lado, os estudos fonológicos recentes demonstraram que a estrutura fônica é menos pontual e concatenada do que se pensava, de outro as pesquisas sobre as línguas gestuais dos surdos finalmente reconheceram nelas verdadeiras línguas articuladas."