16/04/2012

Sintaxe (Linguística III) - 2ºAno

A Professora Doutora Ronice Müller de Quadros que é uma das maiores Linguistas Brasileira, defensora na causa da Comunidade Surda no Brasil, deu-nos novamente as aulas de Linguística destacando-se na Sintaxe das Línguas Gestuais.


As línguas gestuais são as línguas naturais das comunidades Surdas e é de vital importância saber que as modalidades da língua oral e da Língua Gestual são distintas, ou seja, esta possui a modalidade visuo-espacial e é composta de vários âmbitos linguísticos e um deles é Sintaxe. O gesto é composto por diversas unidades: o ponto de articulação, o movimento e a configuração das mãos, a expressão facial e corporal e a localização. As línguas gestuais igualam-se às linguas orais porque preenchem todos os requisitos científicos e consideram-se como um sistema linguístico de poder e força.


As línguas orais-auditivas são línguas do mundo ouvinte que percebe os sons e fala com a entoação correcta o que dificulta ainda mais a utilização da audição para compreender a fala por parte da comunidade Surda.


"A sintaxe é uma questão de uso, não de princípios. Escrever é escrever claro, não necessariamente certo. Por exemplo: dizer escrever claro não é certo mas é claro, certo?"

28/02/2012

Português como Língua Segunda II - 2ºAno

A continuação da disciplina que se encarrega de estudar "Português como Língua Segunda para Surdos" com o Professor de Português, Pedro Barros. Foi uma aula diferente e interessante que destaca a escrita criativa explorando e designando o tipo de texto literário, género literário a que pertence, a sua interpretação e por fim apresentar a opinião pessoal sobre o texto lido.

A imaginação é uma ferramenta fundamental, ou seja, é o elemento-chave para redigir um texto criativo como por exemplo a ficção, drama, poesia, guião, autobiografia, slogan, etc.

Cada colega escreveu um texto baseado nas imagens escolhidas pelo professor imaginando o género ficcional e depois falou em LGP ao professor e a turma. Esta parte foi mais divertida porque através da LGP, contempla-se a beleza no contexto da história, valendo a ressaltar também que as expressões faciais são fulcrais para a composição da língua gestual.

"A cultura surda é aquela que reflecte os costumes e as características das pessoas que desenvolveram através das habilidades visuais, manuais, gestuais e corporais, a sua maneira de estar no mundo, a sua maneira de se fazer no mundo, assim como qualquer outro tipo de cultura. Fazer parte da comunidade surda significa dizer que me comprometo a agir de forma ética, auxiliando no combate aos preconceitos, que partem muito mais da falta de conhecimento em relação à comunidade e à cultura surda."

26/01/2012

História da Educação de Surdos II - 2ºAno

Durante a aula de História da Educação de Surdos, que ao longo da nossa história, a matéria dada pelo Dr. Paulo Vaz de Carvalho, deu-nos conhecimento que havia muitas pessoas Surdas que não conseguiram alcançar o sucesso somente por terem o talento inegável na área de desporto, arquitectura, literatura, teatro, cinema, pintura, exército, artes do espetáculo, humor, medicina e ciência mas muitos foram postos na margem sob o ponto de vista da sociedade ouvinte e essa mesma tirou o privilégio de ser reconhecido.

Até houve alguns Surdos que ganharam o prémio Nobel nas áreas da Medicina e da Química: Charles Scott Sherington, Charles Jules, Henry Nicole e John Warcup "Kappa" Cornforth.
Aqui estão alguns Surdos puderam destacar-se na Arte: Bernardo di Betto Biagi (que foi colega do pintor renascentista Rafael), Juan Fernandez Navarette, Hendrik Van Campus, Claude-André Deseine e Frederic Peyson.
...na Escultura: Paul François Chopin e Fernand Hamar.
...na Literatura: Laura Reeding Searing.
...no Teatro e no Cinema: Phillis Friedlich, Marlee Matlin e Emmanuelle Laborit.

"Todos sentem a necessidade de ser entendidos. Aparentes inabilidades podem empanar as verdadeiras habilidades e criatividades do Surdo. Em contraste, muitos Surdos consideram-se “capacitados”. Comunicam-se fluentemente entre si, desenvolvem auto-estima e têm bom desempenho académico, social e espiritual. Contudo, quando os ouvintes interessam-se sinceramente em entender a cultura surda e a língua gestual, e encaram os Surdos como pessoas “capacitadas”, todos se beneficiam."

03/01/2012

Um olhar sobre a Morfologia dos Gestos (Linguística II) - 2ºAno

Estudando com mais profundidade, a morfologia fornece muitos parâmetros da LGP, sabendo como se processam os gestos de acordo com as características morfológicas onde se consultam os nomes, os artigos, os pronomes, os numerais, as preposições, as conjunções e os verbos.

Segundo Mineiro et alii, revelam que a LGP é tão rica e complexa como a língua oral mas apresenta as limitações dentro do plano morfológico.

Não podemos esquecer que a LGP é uma modalidade visuo-espacial que se permite descrever, utilizar e classificar os elementos entre os quais se destacam as mãos, o movimento realizado pelo corpo e por expressões faciais.

A LGP tem a sua riqueza de representações e tem muito por descobrir, analisar e aprofundar por meio de uma caracterização morfológica devido a peculiaridade do gesto.

08/11/2011

Escrita das Línguas Gestuais - 2ºAno


A disciplina "Escrita das Línguas Gestuais" (SgnWriting) com a Prof. Marianne Stumpf, Surda e da nacionalidade brasileira, é muito simpática e ficou sensibilizada com a dedicação e interesse à disciplina, demonstrados pela nossa colega Surda com Síndrome de Usher, Carolina Ferreira Canais, uma mulher que não desiste de aprender até perceber tudo.

escrita das línguas gestuais expressa os movimentos, a forma das mãos, as marcas não manuais e os pontos de articulação, ou seja, um sistema de representação como forma de comunicação por símbolos (grafema, caracteres) para registrar visualmente uma língua gestual.



Antigamente, os Surdos não tinham como escrever na língua gestual, e até hoje utilizamos Português escrito como segunda língua e a maioria de Surdos têm dificuldades de exprimir através da segunda língua. Com a Escrita das Línguas Gestuais, podemos escrever a LGP (língua gestual portuguesa) sem recorrer à língua oral. 


"SignWriting, que pode registrar qualquer língua de sinais sem passar pela tradução da língua falada. O fato do sistema representar unidades gestuais faz com que ele possa ser aplicado a qualquer língua gestual do mundo. Para usar o SW, é preciso saber bem uma língua gestual. Cada língua gestual vai adaptá-lo a sua própria ortografia." (Stumpf, 2003)

18/08/2011

Introdução às Neurociências - 1ºAno

Foi a última disciplina do primeiro ano que se chamava "Introdução às Neurociências" com a Prof. Dra. Maria Vânia Nunes e o Director do ICS da Universidade Católica. Foi uma aula muito diferente porque tivemos a noção de que o sistema nervoso é responsável pelo ajustamento do organismo ao ambiente cuja função é perceber e identificar as condições para a existência de vida.


Para entender melhor como funciona a nossa mente que toma consciência e se adapta ao ambiente através do sistema nervoso, órgãos do sentido, glândulas e músculos. Os órgãos do sentido detectam, o cérebro faz a leitura através de impulsos eléctricos e químicos.


Sabiam que o computador foi desenvolvido baseado no funcionamento da mente? 
Cérebro - Desktop
Neurónios - Placas, Chips e Condutores eléctricos
Núcleo do neurónio - Hardware
Cadeia da molécula do DNA - Software


Os estímulos e as informações agem seguindo o DNA, em nós, como o clique do rato age seguindo o computador, para determinar uma acção de resposta.


"Somos uma máquina ainda em evolução, nas mãos da mãe natureza. Um computador é uma máquina de estrutura estática, com capacidade limitada e por mais que dure, sempre só será capaz de realizar uma quantidade limitada de tarefas. Já , nós, a "máquina divina"  somos  uma estrutura dinâmica, que vamos  "escrevendo"  nos seguimentos do  DNA , em nós, a nossa história de vida."

04/08/2011

Introdução à Fonética e Fonologia na LGP e na LP - 1ºAno

A disciplina "Introdução à Fonética e Fonologia na LGP e na LP" na qual ainda estudamos em profundidade sobre os paralelismos e diferenças das línguas gestuais e das línguas orais.

Segue-se a citação de texto de "Jouer d'oreille à rebours: sur la phonétisation des langues étrangères", Eleonora Cavalcante Albano, in Lingüística aplicada.

"A palavra e as línguas gestuais, em particular, exibem uma organização hierárquica e encaixada bem mais flexível e operacionalizável do que as das outras atividades sensório-motoras naturais. Se somos privados de um dos ingredientes das fonologias, podemos não obstante construir, com a expressão facial tanto como com as mãos, uma espécie de coreografia muito localizada, que é mais ou menos o equivalente. Se, de um lado, os estudos fonológicos recentes demonstraram que a estrutura fônica é menos pontual e concatenada do que se pensava, de outro as pesquisas sobre as línguas gestuais dos surdos finalmente reconheceram nelas verdadeiras línguas articuladas."